“Eu admito”.
Quantas vezes ouvimos isto em nossas vidas? Creio que pouquíssimas. Simples, o ser humano sempre foi marcado pela política da superioridade. Digo-te, envergonhado, que eu não fujo à regra. Sou sim consciente, porém nem sempre (e aqui gero, propositalmente, uma contraposição de idéias que entenderás adiante), pois erro como pessoa, cidadão, filho, amigo e acima de tudo, como um ser humano.
Tenho em minhas mãos o sucesso e a humildade. Dou-te apenas uma chance de escolher. Tens dez segundos... Pouco tempo para tão grande decisão. Pensaste em escolher a humildade, mas analisaste o mundo que te cerca e viste que tua vida gira em torno do sucesso. E mais, em torno do sucesso pessoal. Estou mentindo? Olha a tua volta, ou melhor, a tua vida. O que mais te importa é o que importa a 90% da população. Sucesso. Freqüentamos escola particular para que? Para adquirir riquezas e doar aos mais pobres? Trabalhamos para que? Para ser “alguém na vida”?
Assim sendo, pergunto-te: tendo em vista que nossas vidas giram em torno de uma concepção capitalista de sucesso e que quase nunca é fiel aos nossos princípios, por que insistimos tanto no sucesso, que nem sempre traz a tão almejada felicidade?
Lembremos que vivemos num mundo capitalista... Pausa. Deve estar pensando que sou contra esse sistema, pois estou sempre fazendo referências ao mesmo, correto? Errado. Perceberás que defendo sim o capitalismo, porém, como tudo na vida, o sistema possui suas características positivas e negativas, que deixarei para discutir em uma próxima oportunidade para não perder o foco de minha idéia.
Retomando a idéia, lembremos que vivemos num mundo capitalista onde reina a idéia do “verniz cultural” (dado o devido crédito da expressão ao meu professor de literatura, Marcelo Miller, sábio estudioso do assunto). Já sabia o grande escritor brasileiro, Machado de Assis, que o brasileiro, em especial a classe média, queremos sempre estar além do senso comum, ou seja, queremos sempre mostrar aos demais membros da sociedade que sabemos de tudo. Pena que este tudo se resume a quase nada.
É aqui que retomo o que disse no começo. Sou sim consciente, porém nem sempre. Sou consciente porque me importo e me esforço para tentar entender cada vez mais o que se passa no mundo de hoje. Porém, sou classe média e eis o fardo que carrego e que me condena. Não sei de tudo, mas sei de um pouco. E, sabendo pouco, às vezes finjo saber tudo e caio na inutilidade do verniz cultural típico do brasileiro.
E é por isso que eu digo: Eu admito. E os demais membros da sociedade, admitem?
Eu admito: palavras que não temos, realidade que não vemos
Um comentário:
Trantado-se do mundo em geral é fato que as pessoas aboliram a frase "Eu adimito", mas remetendo-se ao Brasil, acredito que ainda nem alcançamos esse patamar de inteligibilidade que se condiz à admitir algo, não sabemos nem mesmo o que foi feito, para que foi feito e afins. Em terra onde o "bundalelê" é a língua mais falada, não há nada que possamos fazer se não carregarmos essa farda até que a morte nos separe.
Parabéns pela postagem.
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